quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sobre a Terapia Cognitiva

É fato que todo ser humano é diferente entre si. Cada um tem sua forma singular de ser e existir no mundo. Contudo, mesmo diante de tantas diferenças, modos de pensar, sentir e agir diversos, penso que há uma coisa que faz com que todos cheguem num objetivo em comum... ser feliz, a busca de um sentido para a vida... Afinal, quem gosta de não estar satisfeito consigo mesmo ou com a vida?!

Pois é onde entra o papel da psicoterapia, que pode auxiliar pessoas que não estão bem consigo mesmas, que experimentam alguma dificuldade em alguma área de suas vidas e que desejam mudanças para sentirem-se mais satisfeitas.

Pode-se definir em poucas palavras que psicoterapia é um processo de auto-conhecimento que acarreta em auto-controle. Neste processo, paciente e psicólogo trabalham juntos rumo à alcançarem as mudanças necessárias que se transformam em metas terapêuticas. Não existe uma fórmula mágica para que as mudanças ocorram, e sim desejo de ser, ver, sentir e fazer de forma diferente, ou seja, atitude da parte do paciente, bem como estudo, habilidades, métodos e técnicas da parte do psicólogo.

Cada psicólogo tem seu método para exercer seu trabalho. O meu é a Terapia Cognitiva ou TC, como é conhecida em meu meio profissional.

A terapia cognitiva foi desenvolvida por Aaron T. Beck, no início da década de 60, na Universidade da Pensilvânia. Conforme descrito em Beck, 1964, sua proposta era a de uma psicoterapia breve, estruturada, orientada ao presente, para a depressão, direcionada a resolver problemas atuais e a modificar os pensamentos e comportamentos disfuncionais. Com o passar dos anos, estudos empiricamente comprovados tem mostrado que a TC é eficiente não apenas para tratar casos de depressão, mas uma variedade extensa de problemas e desordens emocionais e psiquiátricas, como por exemplo transtornos de ansiedade, que envolve medo, estresse, pânico, fobias, timidez, transtorno obssessivo compulsivo e vai além da depressão, sendo aplicável em transtornos alimentares como bulimia e anorexia, problemas relacionados ao uso de substâncias como fumo, álcool e drogas, para pacientes obesos, casos de esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar, dentre outros, sendo hoje uma das psicoterapias mais recomendadas por profissionais da área da saúde.

A TC considera que, não são as situações que exatamente nos afetam, e sim nossos pensamentos em relação às situações que influenciam nossas emoções e comportamentos, pois diante de uma mesma circunstância duas pessoas podem ter emoções e comportamentos diferentes, não é mesmo?

 Então, já que a situação é a mesma, e as pessoas podem reagir de modos diferentes, o que muda de uma pessoa para outra são suas cognições (pensamentos, raciocínio, atribuição de significados, conclusão), pois se fosse a situação a causa das reações (emoção, comportamento e alterações fisiológicas) todos deveriam ter as mesmas atitudes, e, no entanto, não é o que acontece.

No processo psicoterapêutico, o paciente aprenderá a trabalhar com suas cognições, pois muitas vezes temos pensamentos que são considerados distorcidos e disfuncionais e nem mesmo nos damos conta disso. Portanto, avaliar a veracidade e a utilidade dos pensamentos, além de modificá-los é uma das estratégias utilizadas na psicoterapia para se obter melhora das emoções e mudanças comportamentais.

Os pensamentos distorcidos e disfuncionais são considerados o nível mais superficial de nossas cognições, e são influenciados pelo conjunto de crenças e esquemas que são o nível mais profundo, que formamos através das experiências de vida, interações e influências familiares, sociais, culturais dentre outras.

Como mencionei, na maioria das vezes não percebemos os erros de pensamentos que cometemos, pois geralmente focalizamos mais o que sentimos e o que nos aconteceu. Entretanto, a terapia cognitiva dispõe de técnicas eficientes que auxiliam o paciente em seu processo de auto-conhecimento, onde o objetivo não é ensiná-lo a “trocar” o pensamento distorcido ou disfuncional por um “pensamento positivo”, mas através da reestruturação cognitiva promover mudanças significativas em seu humor e comportamento levando-o a encarar a vida de maneira realista, funcional, flexível, além de torná-lo mais hábil em resolução de problemas.

Bem... esta é uma breve descrição da TC, o assunto é vasto, mas creio que já é possível fornecer uma noção a respeito da minha forma de trabalhar. Pacientes, estudantes de psicologia e psicólogos interessados em terapia cognitiva podem entrar em contato, caso desejem obter maiores informações, referências bibliográficas ou indicação de cursos na área.

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